Miguel em outubro de 2003 e Sylvia, em 1969, na paredeSylvia, menina, em 1969
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Miguel Gaspar Roque

A minha versão sobre a nossa história

Tudo tem um porquê... Começo, pois, por contar o que me levou a conhecer a Sylvia, "alguém" do outro lado do oceano.

2003 estava sendo um ano difícil para mim. Meu casamento estava desmoronando e à beira do colapso. Passava grande parte do meu tempo com meus filhos.

Havia comprado um computador em Janeiro de 1999 e em inícios de 2003 decidi me ligar à net. Numa tarde em que navegava no chat da Clix (operadora portuguesa) conversei por algum tempo com uma pessoa que me aconselhou a instalar o MSN Messenger pois assim poderíamos falar mais em privado. Segui o conselho dela e por brincadeira criei um perfil no MSN Paquera (hoje "Match.com") pensando que ninguém ia sequer ler tal perfil.

Por incrível que pareça, passado pouco tempo houve uma brasileira que me escreveu, mas era toda cheia de nove horas. Parecia ser alguém muito importante e nem lhe respondi.

No início de Setembro de 2003 recebi um perfil que me cativou pela sinceridade e porque pedia alguém que acreditasse em Deus, estes dois factores me levaram a escrever a essa pessoa e aí tudo começou.

Sylvia havia criado seu perfil de forma a que pudesse ser contactada sem que para isso necessitassem ter que pagar para o fazer. Decidi portanto lhe enviar um email, ao qual ela respondeu passado algum tempo.

Começamos falando no Messenger. Jogávamos partidas de Gamão e todos os jogos que havia no próprio Messenger.

Um dia Sylvia me enviou uma foto de quando ela era criança. Decidi por ela num quadro e colocá-la na parede do meu quarto bem sobre a banquinha de cabeceira. Numa de nossas conversas Sylvia disse que gostava que eu usasse cavanhaque, fiquei confuso, não sabia o que isso era. Perguntei-lhe e ela me explicou, afinal era bigode e pera, e eu já estava usando. Para lhe mostrar tirei uma foto com minha câmara digital e lhe enviei. Só que por coincidência apanhei a foto que tinha na parede, ela ficou emocionada e a partir desse dia assumimos um relacionamento mais sério (se é que isso é possível na virtualidade), e inclusive em novembro lhe enviei pelo correio um lindo anel de ouro branco e brilhantes, como uma aliança de noivado.

Cada dia estávamos mais tempo juntos na net. Na verdade falávamos por chat 8 a 9 horas por dia. Minha conta de telefone disparou e me vi forçado a instalar a ADSL para reduzir os custos. Foram passando os meses e cada vez se tornava mais difícil contentarmo-nos só com a virtualidade.

Decidimos que queríamos viver juntos, mas faltava o dinheiro. Como a paixão tudo pode num momento de desespero decidi pedir um empréstimo de €500 para completar o que faltava à Sylvia para que pudesse vir para Portugal.

Resta dizer que hoje estamos a viver juntos desde abril de 2004 e está sendo melhor do que esperávamos. Que a bênção de Deus paire sobre nós e possamos continuar assim.



Miguel Gaspar Roque

 

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